Review: Oasis: Don't Look Back in Anger (2026)
Foi no dia 12 de setembro, data em que assisti a Oasis: Don’t Look Back in Anger nos cinemas. Ao chegar à sessão, já dava para perceber que aquela não seria uma experiência comum: várias pessoas vestiam camisas do Oasis, inclusive a camisa especial da Adidas, e o clima de expectativa era enorme. Entrei na sala aguardando ansiosamente o início do documentário.
O documentário começa com imagens grandiosas do Oasis no auge dos anos 1990, mostrando manchetes e lembrando o quanto a banda chegou a dominar o mundo. Depois, acompanhamos a preparação para a reunião e os ensaios. Há uma certa apreensão sobre a chegada de Liam, que aparece com aquele jeito característico, aparentemente irritado, chega, pede a primeira música e vai embora. Até Noel fica sem saber se o irmão estava feliz ou irritado.
Além dos bastidores da reunião, também mostrados depoimentos de pessoas de diferentes países que acompanharam a turnê e revela como o Oasis ultrapassou as fronteiras da Inglaterra. Há momentos curiosos, como o da fã brasileira que colocou o apelido do guitarrista Paul "Bonehead" Arthurs no nome do cachorro, e o do torcedor do San Lorenzo, na Argentina, que transformou uma música do Oasis em canto de torcida.
Mas alguns momentos vão além da música. Um deles acontece quando Liam e Noel aparecem juntos falando sobre a reunião e sobre o que significa o Oasis. Quando afirmam que não sabem exatamente o que a banda é, mas sabem exatamente que ela não é uma banda de direita, o cinema onde eu estava reagiu com gritos e aplausos.
Outro momento que me emocionou foi a lembrança de Gary "Mani" Mounfield, baixista dos Stone Roses. O documentário mostra o quanto ele era querido e o quanto apoiava a cena musical de Manchester e as bandas amigas. Foi difícil não se emocionar ao lembrar que ele nos deixou próximo ao período em que o Oasis faria um de seus últimos shows da turnê no Brasil.
Mas, para mim, o ponto mais importante está na parte final, quando o documentário fala sobre perdão e reconciliação. Afinal, antes de serem dois astros do rock, Liam e Noel são dois irmãos. E é aí que o título Don't Look Back in Anger, “não olhe para trás com raiva”, faz jus ao sentido.
Essa mensagem me tocou especialmente por vivemos um período de muitas discussões, guerras, divisões políticas e pessoas se odiando por suas diferenças. A reconciliação entre os irmãos acaba assumindo um significado maior: é sobre deixar algumas mágoas para trás, fazer as pazes e seguir em frente.
Até "Champagne Supernova", uma música que sempre me toca e que me remete também à amizade e à tentativa de comunicação entre duas pessoas, ganhou ainda mais significado para mim depois do filme.
No fim, Don't Look Back in Anger não é apenas um documentário sobre o retorno do Oasis. É também uma reflexão sobre tempo, amizade, família, perdas e, principalmente, sobre reconciliação. Talvez a maior mensagem seja justamente essa: não precisamos permanecer presos àquilo que nos separou. Às vezes, é preciso deixar a raiva para trás para conseguir reencontrar alguém.

Comentários
Postar um comentário
Participe! Comente! Dê sua opinião.