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Mostrando postagens com o rótulo Música e Consumo

"Quase Famosos": a importância do crítico de música

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Qualquer roqueiro/cinéfilo que se preze já deve ter assistido ou ouvido falar em "Quase Famosos" (2000), uma adorável película do competente diretor Cameron Crowe sobre o mundo do rock. Elogiado tanto por críticos de cinema quanto por críticos de música, o filme é mais do que apenas uma comédia dramática típica de uma Sessão da Tarde da vida... Afinal, acima de todos os seus detalhes e pequenas mensagens implícitas, há uma pergunta intimamente ligada ao seu roteiro: "Qual é a importância do crítico de música?". Como deu pra perceber, não farei aqui a milésima resenha de um filme já devidamente esmiuçado por redatores mais especializados em cinema. Quero apenas responder a supracitada pergunta sobre a importância do crítico de música, ainda mais em uma era que mistura no mesmo pacote - e de forma um tanto paradoxal - a liberdade de expressão desenfreada com a censura gerada pelo fanatismo e falso moralismo. Se você prestar muita atenção em qualquer dis...

Reflexões sobre o consumo e a produção de música [III]

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Nossa série de reflexões (veja os textos anteriores aqui e aqui ) traz hoje um tema sensível a boa parte dos leitores e até mesmo dos colaboradores do nosso site – o MP3. O MP3 foi desenvolvido no fim da década de 1980 por pesquisadores do renomado Fraunhofer Institute, na Alemanha. A sacada do MP3 foi conseguir reduzir o tamanho de arquivos digitais de áudio sem uma perda marcante de qualidade sonora. Trocando em miúdos, era como se o que se fazia com a fita K7 tivesse passado por um grande upgrade. Nos primórdios da internet, a velocidade das conexões e a capacidade de armazenamento de arquivos de um PC doméstico era bastante limitada. Até 1999 eram comum computadores domésticos com menos de 1GB (1024 MB) de capacidade de armazenamento. Na digitalização convencional pelo formato WAV, o conteúdo de um CD ou LP de 40 minutos ocupava em torno de 400 MB. Ou seja, era impossível manter este tipo de arquivo em casa e muito menos transferi-lo via internet. Já com o MP3, um álbum...

Reflexões sobre o consumo e a produção de música [II]

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Tempos atrás ouvi uma fita digitalizada que continha uma rara entrevista concedida pela banda brasileira Vímana à Rádio Eldo Pop nos idos de 1976-1977. Nela, Lulu Santos respondia uma pergunta do lendário Big Boy e no meio das divagações, ele dizia: o sucesso está mais relacionado com a distribuição do que com a qualidade da música em si. Aquilo ficou na minha cabeça durante um bom tempo e depois de mais um bom tempo, só posso dizer que concordo com esta opinião de um dos maiores hit-makers do Brasil. Pegando o gancho do que foi discutido no primeiro artigo desta série de reflexões sobre o consumo e a produção de música (veja o texto na íntegra aqui e aqui no nosso blog), aprofundaremos um pouco a questão da distribuição da música nos dias de hoje. Nunca se produziu (em volume, em números) tanta música quanto se produz hoje. E a razão primordial para isso é bastante pragmática – o aumento da população e relativa democratização dos meios de se produzir música (equipamentos e...

Reflexões sobre o consumo e a produção de música

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Inspirado por dois artigos do crítico André Barcinski ( aqui e aqui ) e baseado em recentes experiências particulares como músico e produtor de meus próprios trabalhos, decidi partilhar algumas confabulações a respeito do mercado de música. O assunto sempre desperta reações intensas, muita futurologia e desabafos. Os referidos artigos citam a constatada derrocada da indústria fonográfica, e de forma surpreendente e fundamentada, jogam pá de cal na falsa ideia de que a internet traria grandes benefícios para músicos e bandas (independentes e do mainstream ). O alicerce da argumentação reside em dados sobre o mercado fonográfico nos EUA: a fatia de 1% dos músicos mais ricos em 1982 concentrava menos renda do que os 1% mais ricos em 2015, apenas 6,26% de todos os discos lançados em 2010 venderam mais do que 1.000 (mil!) cópias, 29 artistas diferentes chegaram ao topo das paradas em 1986 e apenas 6 artistas diferentes chegaram ao mesmo topo entre 2008 e 2012. Ou seja, a música ...