1 de jun de 2019

Warped Tour: o maior festival itinerante de punk começa domingo

by on sábado, junho 01, 2019

Começam neste domingo (2) as comemorações dos 25 anos da Warped Tour. Evento tradicional para os fãs de punk rock e hardcore foi por muitos anos a maior itinerante do mundo. Ciclo que se encerrou no ano passado.

Entretanto, são poucos os eventos que possuem um quarto de século cheio de histórias e curiosidades. Inúmeras bandas construíram sua base de fãs rodando os Estados Unidos de ponta a ponta durante o verão. Bem como, o festival conseguiu aproximar ainda mais os artistas e o público.

Com muitas curiosidades e fatos interessantes, chegou a hora de conhecer um pouco mais da fantástica Warped Tour! Está pronto para isso?


História

Criada em 1995 por Kevin Lyman, a Warped Tour tornou-se rapidamente um dos principais eventos do verão americano. A princípio, o festival itinerante focava-se no rock alternativo, nos moldes do Lollapalooza original. No entanto, logo ele passou a ser um evento destinado para os fãs de punk rock, hardcore e suas vertentes.

O nome Vans Warped Tour só apareceu em 1996, quando a marca de tênis e skate assumiu o posto de patrocinadora oficial. Como sabemos, a parceria dura até as edições atuais e sem dúvidas ajudou a popularizar a marca entre os fãs de punk rock. E naturalmente, virou um dos poucos símbolos de contracultura nos anos 90.

Entretanto, com o passar dos anos o público do evento começou a se diversificar, bem como os artistas convidados. Desta maneira, o rock alternativo, o metal, o metalcore, o rap e o hip hop conquistaram espaço no lineup. Por exemplo, em 1999, o Black Eyed Peas e o rapper Eminem foram as primeiras atrações não rotuladas como “punk”.


Além dos Estados Unidos

A partir de 1998, a Warped Tour ampliou seu giro para um nível internacional. Além de fazer paradas nos Estados Unidos e Canadá, ela se expandiu para a Austrália, Japão e alguns países da Europa.

Em 1999, também houve uma edição especial no Havaí durante o ano novo. Anos depois, em 2014, o festival também fez sua primeira parada no Alasca.

Bandas revelações

Ao longo destes 25 anos de turnês, o evento foi fundamental para lançar grandes bandas de diferentes gêneros. blink-182, Deftones, Sum 41, Limp Bizkit, My Chemical Romance, No Doubt, Sublime, Fall Out Boy, Paramore e até mesmo Katy Perry conquistaram um grupo considerável de fãs durante as paradas do festival.

Mudanças no formato

Em 2018, Kevin Lyman anunciou mudanças no formato da Warped Tour. Neste mesmo ano, foi a última edição do evento como “cross country”. Ou seja, rodando diversas cidades ao redor dos Estados Unidos. O que para muitos foi encarado como o fim do festival em si.

Contudo, a edição de 2019 terá apenas três paradas em locais bem específicos. Continue com a gente para saber mais!

Lineup 2019

Em 2019, a Warped Tour terá três paradas e quase todas terão diferentes lineups. Por exemplo, a primeira será em Cleveland no Rock & Roll Hall of Fame no dia 2 de junho. Lá, as principais atrações serão Simple Plan, Emery e Chali 2Na & Cut Chemist.

Já entre os dias 29 e 30 de junho, a parada será em Atlantic City em Nova Jersey e com um enorme lineup. Sem dúvidas, os destaques ficam para o blink-182, Bad Religion, Good Charlotte, The Offspring e Simple Plan. Sem contar a volta do Man Overboard e Gym Class Heroes, bandas que conquistaram espaço na mídia por meio do festival.

Quase um mês depois, a Warped Tour acontecerá entre os dias 20 e 21 de julho em Mountain View, na Califórnia. Alguns nomes deixam o lineup, enquanto outros aparecem para somar. É o caso do NOFX, OFF, Sum 41, The Used e The Vandals. Ou seja, uma enorme celebração das diversas bandas de diversas fases do festival.

Para conferir o lineup completo de cada uma das paradas, clique aqui!


Curiosidades

Em tantos anos de festival, obviamente o que não falta são curiosidade em relação a Warped Tour. Por exemplo, em todas as edições uma banda é escolhida para ser a BBQ Band. Ou seja, em troca de se apresentar no festival, os integrantes precisam preparar um (mega) churrasco para os outros artistas e a produção.

Não são apenas novatos que entram nessa brincadeira. Por exemplo, o Dropkick Murphys já foi um dos grupos que comandou as churrasqueiras durante suas participações. Sendo assim, não importa o quão famoso o artista seja, todos são tratados como iguais.

Em recente entrevista, Kevin Lyman revelou que a edição de 2005 foi a maior de todos os tempos até sua despedida em 2018. E isso fica claro ao ver o lineup que tinha como principais atrações Fall Out Boy e My Chemical Romance, bandas que viriam estourar nos anos seguintes.


Os maiores participantes

Outra curiosidade é lista gigante de artistas que participaram da Warped Tour. Contudo, algumas bandas certamente merecem uma medalha como o Less Than Jake que participou de 13 edições. Enquanto, o Simple Plan e Anti-Flag empatam em segundo lugar com 12 participações. E esse número já inclui as apresentações na edição deste ano.

Brasileiros na Warped Tour

Apesar de ser um evento “culturalmente americano”, o Brasil já teve alguns representantes na Warped Tour. Em 1998, os Raimundos se apresentaram em uma das paradas da turnê pela Europa. Muitos anos depois, os Brothers of Brazil foram atração da versão americana em 2011.


Preços justos e interação

Um fator que ajudou na popularização da Warped Tour foi o valor dos ingressos. Por exemplo, a última edição teve o valor 45 dólares. Isso permitia que o público assistisse aos shows, bem como conhecer os artistas nas tendas espalhadas pelo local. Dessa maneira, criando uma maior interação entre os fãs e as bandas.

Talvez por isso, o evento chegou a registrar uma média de 600 mil pessoas a cada edição, cerca de 20 mil visitantes a cada parada. Um público que tinha como faixa etária entre 15 e 25 anos. Isso sem contar os pais, que muitas vezes podiam entrar de graça para acompanhar os filhos.


Shows Memoráveis

blink-182

No fim dos anos 1990 e no começo dos anos 2000 era quase impossível não associar o blink-182 a Warped Tour. De fato, Mark Hoppus e Tom DeLonge eram resumidamente o público que o evento alcançava. Seja no modo de se vestir ou na música que era feita. Talvez por isso, o trio foi atração de quatro edições.

Depois de um longo tempo longe do evento, eles retornam para edição especial de 25 anos. Mas se a ideia é falar de shows memoráveis, basta uma rápida pesquisa no YouTube para encontrar shows completos da banda. No entanto, vamos com um vídeo de Dammit em 1997.


Green Day

Apesar de ser uma grande referência para a maioria das bandas que tocaram na Warped Tour, o Green Day só participou uma vez do festival. Entretanto, os shows na edição do ano 2000 foram bastante intensos.

Um exemplo disso é o fim do show em Montreal no Canadá. Mike Dirnt e Tre Cool destruindo o palco antes de Billie Joe Armstrong começar a tocar Good Riddance (Time of Your Life) em Montreal.


Paramore

Junto com o Fall Out Boy e My Chemical Romance, o Paramore pode ser considerado o melhor “case de sucesso” do festival. A primeira turnê de Hayley Williams e banda foi exatamente a edição 2005 da Warped Tour. Depois, eles ainda participaram mais cinco vezes e conquistaram cada vez mais fãs.


Katy Perry

Bem antes de lotar estádios, a prova de fogo para Katy Perry foi se apresentar na Warped Tour em 2008 durante a divulgação do álbum One of the Boys. Anos depois, a cantora confessou em uma entrevista que participar da tour itinerante foi importantíssimo para sua postura em cima dos palcos.


Pennywise

No ano passado, o Pennywise foi responsável por fazer a última apresentação da Warped Tour no seu formato “cross country” tradicional. Curiosamente, a banda era um dos artistas revelações da primeira edição em 1995. Para aqueles não puderam estar em West Palm Beach para ver o fim de uma era, o show foi transmitido na íntegra por streaming.

Obviamente, o momento mais marcante do set foi quando o quarteto tocou o clássico Bro Hymn com o palco lotado de músicos, membros da produção e fãs. Tente não se emocionar com a última música apresentada no festival!


Por Lupa Charleaux do Pop Punk Academy
Postado em Blog n' Roll

21 de mai de 2019

Acústico MTV

by on terça-feira, maio 21, 2019

Por que o Acústico MTV não se chama simplesmente Acústico? Por ser um show especialmente feito para TV.

O Acústico MTV foi criado por um cameraman americano exatamente com a intenção de privilegiar a fotografia, os planos longos, os movimentos de câmera com começo-meio-fim.

O fato de ser acústico é proposital para também desacelerar a música, e fazê-la se encaixar nos planos lentos e artísticos, além de trazer uma apresentação diferente e absolutamente intimista (não à toa a plateia ficava sempre bem próxima aos músicos).

Aqui no Brasil essa proposta se perdeu e são poucos os Acústicos que pegaram na veia, aqui no caso, em relação ao meu gosto e ao que eu assisti. Mas disso falo mais ali na frente...

Comecei a fazer direção artística na MTV em março de 1994, e em algum momento desse mesmo ano passei a ser o responsável por todos os ‘ao vivo’ que chegavam à emissora. “Todos” significa todos mesmo, desde pequenas apresentações nos estúdios das MTVs pelo mundo até Acústicos e grandes festivais. Podia ser qualquer artista: de Roxette a Pixies. Era ao vivo, passava pela minha mão.

Minha função era assistir tudo para ver se havia necessidade de acrescentar legendas (em falas que aconteciam entre as músicas), cortar algo (Iggy Pop lambendo o sangue da fã que se cortou no braço), separar em blocos, acrescentar vinhetas, ou seja, é o que chamamos de embalar para ir ao ar aqui no Brasil. Assistia também pra ver se era relevante passar aqui.

Cada apresentação que eu assistia era uma aula de produção e direção de show, seja de como fazer ou como não fazer. Eu assisti a todos os Acústicos internacionais de meados de 1994 até 2000, quando sai de lá.

Nunca fiz direção de nenhum Acústico, e o único que me coloquei a disposição pra fazer foi o do Paralamas que, ainda bem não fiz!

O do Legião Urbana lançado em 1999 como edição especial fui o responsável pela edição e toda a pós-produção de vídeo. Foi bastante trabalhoso por eu não ter material suficiente pra trabalhar. Já escrevi sobre ele aqui no Sete Doses.

E pra mim há dois Acústicos da MTV Brasil que são exemplos de Acústicos de verdade: o do próprio Legião e o do Gilberto Gil.

O do Legião é o mais intimista de todos os da MTV Brasil e um dos mais intimistas de todas as MTVs. Foi gravado em clima de piloto, o próprio grupo não levou a sério, fazendo um único ensaio na casa de Renato, a tarde, com dois violões e Bonfá sem nada pra fazer hahaha. É um Acústico incrível, honesto, puro.

O do Gil é um primor na direção artística de Rodrigo Carelli e de toda a produção, não só da emissora, mas a do Gil também. Figurino impecável, banda impecável, versões impecáveis. Até hoje assisto a esse Acústico com o mesmo prazer da primeira vez. Carelli gravou tudo separado e o montou na ilha. Seguiu perfeitamente a proposta inicial do projeto.

Dos gringos, é difícil lembrar de todos, foram muitos, mas me chamaram a atenção e gostei muito do Cure, Live, REM, Sheryl Crow, Kiss, Lenny Kravitz, Café Tacuba e Nirvana. Me parece que o Cure fez dois, mas me refiro ao primeiro em que todos estão sentados no chão em roda. Maravilhoso! O do Live os violões são incríveis, REM também bastante intimista, o da Sheryl também. Tem mais Acústicos legais, mas não consigo me lembrar de todos, claro. Na gringa eles eram produzidos em maior escala, os artistas se preparavam pra eles, havia uma produção por trás, mas nunca teve a importância que teve para o mercado fonográfico aqui do Brasil.

A partir do Acústico do Titãs, uma áurea ridícula se fez em torno do projeto. E o do Titãs, assim como o do Moraes Moreira, já não gostei nem um pouco.

Não estou aqui pra apontar culpados, mas no Brasil deturparam a essência do projeto. A culpa é um pouco de cada parte envolvida, incluindo o próprio artista.

Depois que o Titãs vendeu 2 milhões de CDs e não sei quanto de DVDs, resgatando o grupo que não estava nada bem na carreira depois do não tão aceito Domingo, tanto gravadoras, quanto artistas, todos queriam seu Acústico. Se tornou uma corrida de cegos, e a MTV Brasil não tinha estrutura para tanta demanda.

Cada produção passou a ser tratada como se fosse a última antes do fim do mundo. Seja Rita Lee e Cássia Eller ou Art Popular e Zeca Pagodinho, todos se perderam de alguma forma.

Pra minha decepção, um dos piores Acústicos é o do Paralamas. Megalomaníaco, com sopro, percussão e o diabo a quatro. Aquela versão de ‘Que País é Este?” devo admitir, é uma das coisas mais tristes da carreira do grupo. Paralamas pra mim é o melhor grupo de sua geração e um dos melhores da história do rock brasileiro, mas errou feio ao fugir completamente do objetivo real do projeto.

Inclusive na lista de artistas brasileiros que fizeram o Acústico, tem alguns nomes que a carreira é praticamente feita de música acústica, então me pergunto até hoje: por que diabos fazer um Acústico?!! Virou coisa de doido hahaha.

Sei que a MTV Brasil vai voltar a fazer Acústico, mas não sei quais são os objetivos e as intenções. Só sei que vou torcer loucamente para que ele seja feita com base em sua proposta original: o artista despido de superprodução, tocando de forma intimista e acústica para câmeras que passeiam lentamente pelo palco.

Em termos de apresentação para câmera, tem coisa mais simples do que o artista no violão e percussão tocando e contando histórias?

É isso, que o novo Acústico traga o artista mais humanizado e simples.

PS: O 1º Acústico da MTV Brasil foi com Camisa de Vênus, mas tratado como o programa piloto. Foi também bastante simples e intimista, bem parecido com o do Legião.





Por Paulo Marchetti

18 de mai de 2019

A crítica musical não morreu, mas deve se transformar

by on sábado, maio 18, 2019

Um amigo se perguntou se deveria estar nesse site no início desta semana. Ele não foi o primeiro a refletir sobre isso. Dan Ozzi, do Noisey, ponderou sobre o mesmo assunto no início deste ano, e o Invisible Orange postou um questionamento semelhante cinco anos atrás.

Nenhum deles encontrou uma resposta adequada à pergunta: os reviews de discos se tornaram obsoletos? Todos sugerem essencialmente que “sim”, mas como as resenhas seguem pipocando a cada novo lançamento, a resposta é, obviamente, “não”. A questão persiste. De fato, agora, quando parece que todo pensamento crítico e qualquer tipo de análise cultural está se despedaçando em ritmo acelerado, é o momento mais importante para entender como a crítica funciona, pra que ela serve e qual a sua importância.

A verdadeira resposta é que a crítica musical está, atualmente, em uma espécie de limbo. Ela atravessa um processo de transformação que ainda não chegou ao fim. E o motivo que levou a isso é um só: a internet. A internet expôs e começou a desmantelar a relação econômica entre conteúdo e objeto, que costumava ser a base do criticismo musical.

A cultura pop em geral floresceu após o fim da Segunda Guerra Mundial e chegou até o novo milênio embalada pela ascensão da mídia. E por mídia quero dizer a venda de objetos, de itens, que foram enriquecidos pelo conteúdo. Quando você, ou sua mãe ou quem quer que seja, compra um disco de vinil, a parte musical não é realmente o que você está comprando. O que você está comprando é, literalmente, um disco de plástico. A música, a gravação e a embalagem existem para tornar esse disco de plástico valioso o suficiente para que ele possa ser trocado por dinheiro. Filmes? A mesma coisa. Eles não estão vendendo um ator ou atriz construído em 64 frames por segundo, mas sim um DVD, um fita de vídeo ou um pedaço de papel que permite ao comprador assistir ao filme projetado em uma tela de exibição. Notícias? Estão vendendo pra você uma pilha de papel barato impresso. Revistas de música? Um monte de papel caro e cheio de brilho. O conteúdo - a música, a escrita, os quadros por segundo, as resenhas que você lê - só possui valor a partir do momento em que passui alguma utilidade para você.

O que isso tem a ver com resenhas de discos? Tudo.

A internet tornou o conteúdo infinitamente reproduzível. Esse é o verdadeiro problema com a pirataria. Não é que a pirataria possibilite que você escute o novo disco de sua banda favorita antes de seu lançamento - de qualquer modo, a data de lançamento era apenas uma questão de conveniência e logística. O produto sempre vai chegar ao mercado, razão pela qual artistas como Beyoncé e Frank Ocean podem lançar discos sem nenhum aviso prévio. O fato de que você é capaz de facilmente duplicar e multiplicar o alcance dos arquivos é o que faz com que não valha a pena prensar um disco em formato físico. A pirataria destruiu o valor deste disco de plástico, que sempre foi o que você comprou por anos e anos.

Esse meu amigo afirma que o valor da crítica de cinema e TV segue intacta. Não, não segue. O Wall Street Journal e o New York Times acabaram de reduzir o número de críticos em suas equipes. O fato de a música bater contra as rochas antes que o cinema e TV se deu porque a pirataria chegou primeiro ao cenário musical. E a pirataria de música só existiu antes porque os arquivos MP3 são bem menores que os arquivos de um filme. A internet desacoplou toda a cultura pop da cultura material, mas é no material que está o dinheiro.

Chega de falar de economia, cara! O que tudo isso tem a ver com a crítica de discos? Bem: como eu disse, tudo. 

A crítica musical, principalmente as resenhas de discos, eram uma ferramenta consumista do pós-guerra. Os reviews de álbuns existiam, de modo geral, para ajudar os consumidores a definirem suas listas de compras. Listas de melhores do ano e livros como 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer tiram um pouco do trabalho do leitor. Mas, por causa da internet, o conteúdo não tem valor e as listas de compras perderam o sentido, principalmente quando os próprios indivíduos podem criar suas amostras através do streaming. Sem valor consumista, a crítica musical pós-guerra não tem utilidade.

E isso é uma coisa boa, porque nos liberta da tarefa cansativa de pensar sobre a música como um produto de consumo. Agora, podemos parar de pensar sobre a lógica “bom” versus “ruim” (traduzindo: “vale o seu dinheiro” e “não vale o seu dinheiro”), porque “bom” e “ruim” não importam mais.

O que importa é dar contexto à paisagem musical, porque, mais do que nunca, é ela que dá sentido à obra de cada artista. A troca de fitas acabou, o underground está plenamente consciente de si mesmo, e a troca de ideias pode ser feita em tempo real.

Em vez de dizer às pessoas o que comprar, os críticos pós-internet precisam realizar um trabalho diferente: dar aos ouvintes o contexto do que eles estão ouvindo. A melhor crítica não é aquela que dá uma nota de 0 a 10, mas sim aquela que diz ao leitor como uma determinada peça musical se encaixa no ecossistema da música. 

Não me diga que o Diadem of Twelve Stars do Wolves in the Throne é uma obra-prima - essa é uma decisão minha como ouvinte, e nenhuma opinião é certa ou errada. Em vez disso, mostre-me que o Weakling fez algo similar anos atrás, mas que foi o Wolves in the Throne que gerou uma série de imitadores. E, caso você seja um crítico muito bom, explique-me porque esse disco inspirou várias pessoas naquele momento. Por que o álbum poderia me inspirar?

Os críticos perderam sua utilidade como agentes de recomendação. Temos, literalmente, algoritmos para isso. Mas os algoritmos não podem oferecer o contexto. Um computador não pode oferecer ideias e pontos de vista que irão ajudar a abrir a sua mente enquanto você ouve um disco, fazendo com você enxergue aquele álbum de uma maneira totalmente nova.

Contexto é algo muito mais difícil de entender do que o “bom” versus “ruim”. Os melhores escritores são aqueles capazes de descrever a música. O ouvinte pode ouvir por si mesmo. O contexto é o que nos faz encontrar reflexões e associações entre a música que ouvimos e o mundo que nos rodeia.

Isso vai deixar algumas pessoas loucas, especialmente as que pensam que a música é um sistema fechado, ou apenas uma boa ferramenta para o escapismo e que deve ser mantida separada da “política”. Mas essas mesmas pessoas precisam admitir, por exemplo, que a sombra da Guerra Fria responsável pela paranoia nuclear foi o que fez o Metallica e o Celtic Frost serem tão legais nos anos 1980. Elas precisam admitir que a mentalidade liberal que tomou conta do mainstream na Noruega da década de 1990 foi o que tornou o black metal possível. E é o consumismo da cultura pop do pós-guerra que tornou possível o seu próprio escapismo. Eventos recentes como a eleição de Donald Trump e o Brexit vão mudar o mundo da música de formas que ninguém poderá ignorar.

Agora, mais do que nunca, vamos precisar de grandes críticos que consigam entender o panorama geral. Quando isso se tornar o padrão para a crítica musical, a transformação que o Napster iniciou estará completa. Qualquer um capaz de executar essa tarefa ganhará uma nota 10 de 10. Os que não forem capazes, ganharão um belo zero.

Por Joseph Schafer, da Decibel
Tradução de Ricardo Seelig

Postado em Collectors Room

14 de mai de 2019

Hubert Kretzschmar: O artista das mil faces

by on terça-feira, maio 14, 2019

O que “Some Girls”, “Tatto You” e “Undercover”, dos Rolling Stones, além de “Face The Heat”, do Scorpions, “Electric Café”, do Kraftwerk, têm em comum? Todos têm ligação com o alemão Hubert Kretzschmar, artista gráfico autor de capas desses discos famosos, além de pôsteres promocionais de trabalhos e turnês de gente como Björk, Pet Shop Boys, Depeche Mode, Jethro Tull, The Psychedelic Furs, The Dead Kennedys, Queen, Iggy Pop, Frankie Goes To Hollywood, Soft Cell, Tears For Fears, Orb, Yello, 50 Cent, Dead Boys, Yes e coloca etcetera aí.

Hubert Kretzschmar nasceu em 1954, em Karlsruhe, cidade do sudoeste da Alemanha, a poucos quilômetros da fronteira com a França. A cidade de pouco mais de trezentos mil habitantes é berço também de nomes como Karl Benz (criador do veículo automotor e cuja empresa acabou virando a Mercedes-Benz), Heinrich Rudolf Hertz (que descobriu as ondas eletromagnéticas), Karl Freiherr Von Drais (precursor da bicicleta e da motocicleta), Richard Willstätter (prêmio Nobel de Química), base da Universität Karlsruh, um dos maiores centros de pesquisa científica e de engenharia da Alemanha, e da Hochschule Karlsruhe, centro de referência em tecnologia.

Essa pequena cidade fervilha em pesquisas e descobertas. Kretzschmar cresceu em meio a esse ambiente de provocação pelo novo. Apesar das bos universidades, acabou se mudando pra Essen, em 1974, pra estudar na Folkwangschule, universidade de artes. Já formado, em 1978, foi pros Esteites, e se quedou em Nova Iorque, cidade que adotou e onde ainda vive. Foi ali que movimentou-se e construiu uma rede de conhecidos que o levou a assinar trabalhos tão importantes ligados à música popular jovem.

Na Cidade Que Nunca Dorme, aprimorou seu trabalho em ilustração e trabalhos pioneiros em colagens fotográficas, vídeo, escultura e, especialmente, computação gráfica. Se empolgou com a arte do grafite dos anos 1980, e Nova Iorque era um mundo de oportunidades nesse sentido. Acabou em galerias importantes e, daí, com grande ajuda do igualmente icônico desenhista Peter Corriston, que virou parceiro nos seus principais trabalhos, com os Rolling Stones, em especial a polêmica capa de “Some Girls”. Sua reputação no meio artístico o levou também a realizar trabalhos pra empresas como Apple, Sony, MTV, TimeWarner e Nike, por exemplo.

Ele é descrito de maneira perspicaz como “um (Tanino) Liberatore em Weimar, explorador de sua história cultural, enquanto desafia seu legado de tradição. Sua visão é composta de (Max) Beckmann, (Otto) Dix e muito do que a República aprovaria. Imagine (Albrecht) Dürer nos portões da era digital; um acontecimento ao longo das linhas limpas do De Stijl, impregnado da ironia crua do Dadaísmo; a fluidez do surrealismo combinou com a reverência irreverente da Pop Art”.

As referências do trabalho de Kretzschmar são tão amplas quanto a música que tenta-se rotular a partir dos anos 2000. Há sempre algo identificável, embora híbrido de muitos outros rótulos. É o reflexo da absorção de uma gama cada vez maior do leque da música pop. O esforço é parecer original a partir de pedaços assimilados. Kretzschmar conseguiu pegar suas referências alemãs de épocas mais distantes e transformar em algo moderno pra época.

Na capa de “Some Girls”, disco que o Rolling Stones lançou em 1978 (quando Kretzschmar tinha apenas 24 anos), o uso de imagens de rostos femininos famosos, intercalados com o rosto femininos dos quatro Stones, como se fosse uma propaganda de perucas dos anos 1950/1960, rendeu uma grande polêmica. O uso das imagens não-autorizadas de Lucille Ball, Marilyn Monroe, Farrah Fawcett, Judy Garland e Raquel Welch rendeu um processo contra a banda. A capa foi recriada mais três vezes, trocando os rostos, às vezes com textos no lugar de rostos, às vezes com os rostos só dos membros da banda, numa outra versão com outras mulheres. Em torno da polêmica, crescia o nome de Kretzschmar, com elogios até mesmo de Andy Warhol, cujos trabalhos a capa foi citada com comparações.

Ele contribuiu ainda com Corriston na capa de “Emotional Rescue” (1980). Mas foi a capa de “Tatto You” (1981) que foi considerada uma obra de arte pela técnica empregada.



A capa de “Undercover”, de 1983, é ousada, embora nada original, como se destaca o trabalho do artista, um sopão de referências. Ela remete diretamente ao trabalho de outra artista contemporânea a ele, Linda Sterling, autora da capa de “Orgasm Addict”, do Buzzcocks, lançado em 1977 (leia artigo completo aqui). Entretanto, enquanto Linda estava trafegando nos subterrâneos da música, Kretzschmar trabalhava com a maior banda de rock em atividade, expunha em galerias e museus (em Nova Iorque, Filadélfia, Zurique, Budapeste, Berlim, Tóquio, Düsseldorf e outros centros) e tinha entre seus clientes as grandes marcas do mundo.

Mas talvez seu trabalho mais impressionante (e original) seja mesmo o de “Electric Café”, do Kraftwerk, disco de 1986. O uso de computadores deu uma visão da banda que os fãs não tiveram antes. A bem da verdade, antes deste disco, o rosto dos quatro integrantes do Kraftwerk era associado a almofadinhas nerds, cabelos com gomalina, gravatas e ternos mod, enquanto a música era outra coisa. O choque entre visual e sonoro tinha seu grande valor, mas a arte de Kretzschmar deu uma dimensão ao produto Kraftwerk que não existia até ali e passou a ter dali em diante, inclusive em cima do palco, nas projeções atrás da banda, no uso cenográfico dos robôs (como estão no encarte do disco) e até mesmo como marca. Já era um reflexo de trabalhar com grandes marcas mundiais e, por isso, poder associar uma banda a uma marca própria.




Kretzschmar, como a música que representa com imagens, colagens e ideias, abraça a mutação conforme o tempo exige. E avança. O artista das mil faces e mil referências inventa como seus conterrâneos: se imagem é tudo, cunhar uma imagem forte é um trabalho pra criadores únicos.

Por Fernando Augusto Lopes
Postado em Floga-se

7 de mai de 2019

A boa e perigosa mesmice do Catfish and the Bottlemen

by on terça-feira, maio 07, 2019

Em 2016, fãs do Catfish and the Bottlemen enxergaram muitas semelhanças entre o novo disco do grupo com seu antecessor. Contudo, The Ride foi um lançamento sólido pra época, consolidando a banda como grande prospecta. Só que a falta de inovação nas canções ainda gerava uma certa desconfiança do público.

Três anos depois, os britânicos divulgam seu terceiro álbum, The Balance. Entretanto, assim como título e capa, as 11 novas faixas pouco se divergem do restante do trabalho deles. Apesar de ser compreensível que o conjunto tente seguir as fórmulas de The Balcony, sua ótima obra de estreia, chegou a hora de mudar.


O novo disco da banda é muito interessante, para ouvintes de primeira viagem, a nova leva de músicas vai soar muito agradável. Por outro lado, grande parte dos fãs vão pensar “de novo?”. Aliás, quando Longshot, primeiro single do novo trabalho, foi divulgado, já sabíamos o que estava por vir.

Ainda bom!

Esquecendo um pouco as críticas, The Balance, merece ser escutado, é um álbum sólido, que te faz querer escutar todas as músicas em sequência. Principalmente pela abertura, com a já citada Longshot e Fluctuate, o grande destaque entre as canções. Além disso, o trabalho ainda passa por faixas muito boas, como Sidetrack. O gás parece acabar no fim, com algumas partes boas, mas sem o impacto presente no início.

Inegavelmente, a nova obra do Catfish and the Bottlemen deva ser presente em muitos foninhos que curtem um bom indie rock. Porém, devemos torcer por mudanças pelo grupo, mesmo que pequenas. Uma vez que é muito fácil ver potencial nesses garotos, que ainda tem um horizonte de possibilidades para explorar.

Por Carlos Da Hora do Disqueria
Postado em Blog n' Roll

"The Stone Roses": o disco que não envelhece

by on terça-feira, maio 07, 2019

Trinta anos. Lá se vão trinta anos. Olho-me no espelho e não vejo a menor mudança. Mas é só colocar uma foto daquela época ao lado e perceber que envelheci – e muito. Não é pra menos. Ainda não estou carregado de rugas e cabelos brancos, por incrível que pareça, são poucos (há alguns na barba, que não deixo crescer, então é irrelevante). Pança ainda tá como trinta anos atrás, sem aquela protuberância regada a chope. Coração, idem, exames de sangue ok. A medicina evoluiu, nosso conhecimento de alimentação e cuidados também. Não fossem as duas fotos e o tempo eu diria que sou o mesmo de 1989.

Daqui a trinta anos, certamente, não terei a mesma percepção. Serei um idoso já mais perto do fim da vida do que de avistar alguma perspectiva. Só que em 1989, eu era turbo, achava que sabia de tudo, que podia caminhar na velocidade que imaginasse e que ninguém – nem nada! – podia me parar. Havia muito menos responsabilidades também, é óbvio, o que nos deixa ainda mais com essa sensação de invencibilidade.

Com menos de vinte anos de idade, você não tem a menor projeção do que vai acontecer na sua vida, mesmo que seja forçado pelas circunstâncias a trabalhar/casar/ter filhos/sei lá mais o quê. Nessa época da vida, você pode usar qualquer tipo de substância, que o seu corpo aceita numa boa, como uma experiência válida e não como uma agressão. Você vê o mundo com olhos diferentes. Sente o mundo de um jeito diferente.

Acho que John Squire, Ian Brown, Mani e Reni tinham a mesma sensação quando lançaram “The Stone Roses”, em 2 de maio de 1989. Todos tinham entre vinte e cinco e vinte e sete anos, eram doidaços e queriam ser adorados. Havia uma petulância em ser o melhor, sem se “entregar ao sistema”, uma atitude que atraía os desajustados e prepotentes como eu – e éramos muitos.

O tempo passou e esse lance de “não se entregar ao sistema” se mostrou uma balela, como sempre acontece nesses casos. Mas até aquele momento, ouvir o Stone Roses era um caso de triunfo dos inviáveis. Gente fora dos padrões de beleza, suja, desarrumada e doidaça de drogas podia levantar o dedo do meio pra qualquer imbecil ainda deslumbrado com a “década yuppie” que (ainda bem!) chegava ao fim. Essa galerinha chata pra caralho das Wall Streets da vida, entupida de farinha, estava sendo sobrepujada por um pessoal bem mais desajeitado, entupido de ácido.

Em “The Stone Roses”, tudo parecia fazer sentido – e, como eu me olhando hoje no espelho, ainda faz, não envelheceu, é um apanhado de canções maravilhosamente construídas pra não caducarem. Como conseguir isso? Na base do fazer-como-quer.

Guitarras preguiçosas e rebolantes, com um baixo adocicado pulsando devagar e uma bateria sacolejante, tudo emoldurado por um ar translúcido, davam às onze músicas originais (tem versões com treze, acrescentando o sucesso das pistas “Elephant Stone”, antes de “Waterfall”, e a quilométrica “Fool’s Gold” encerrando o disco) a impressão de uma novidade que ainda persiste décadas depois.

O jeitão mal humorado de Ian Brown antecipou a rabugice dos irmãos Gallagher, do Oasis, mas seu vocal não era agressivo em disco (ao vivo, era outra coisa): era um troço “flower power” sem firulas de paz-e-amor, só com as drogas, o sexo (talvez) e o foda-se pra tudo e todos. Era pra dançar e era pra viajar. Era pra ouvir sozinho e era pra derreter a mente. Era pra se sentir especial.

A bem da verdade, as letras pouco querem dizer. Entre loucuras sobre como as auras brilham, revoluções violentas com ruas solitárias e carros queimando, pessoas submissas, uma sociedade sem perspectiva, o que o Stone Roses queria mesmo era entregar alguma espécie de alternativa a tudo o que os anos 1980 representaram e o que poderia ser um pingo de esperança pra última década do século (esperança jamais confirmada). Talvez se esse disco fosse feito dez anos depois (como os dos Radiohead), ele fosse de extremo pessimismo, afinal mesmo com a avalanche da Internet chegando, a gente já dava sinais de que estava derrotado como sociedade.

Por outro lado, somos otimistas ainda, não? Eu olho minha imagem no espelho e sinto que o tempo não passou. Tem dias que me acho até melhor. Isso não é de um recorrente e teimoso otimismo? Ou, veja, qual sentido faria ainda estar vivo? Talvez seja por isso que “The Stone Roses” ainda pareça tão refrescante e, digamos, “atual”, sem rugas, sem barba e cabelos brancos. É porque em tempos de filmes de super-herói, na época do furacão do hip hop e do rap (a única música punk do momento, a única realmente contestadora), em tempos de “divas” pop pré-fabricadas na mesma forma, em anos de comunicação totalmente impessoal, ter esperança ainda é uma boa moeda em busca de equilíbrio e satisfação – afinal, o que é essa adoração por super-heróis, senão uma busca infantilizada por um salvador da nossa miséria; o que são esses ídolos pré-fabricados e idênticos em beleza e expressão corporal, senão uma reflexo de nossos desejos de identidade; e o que são esses rapers provocadores (e já milionários), senão nossa forma de expressar certa raiva represada pelas injustiças cada vez mais entrelaçadas na sociedade?

Sim, “The Stone Roses” sobrevive. Completou trinta anos nesse maio de 2019 como um senhor rejuvenescido por técnicas simples de recauchutagem da alma sofrida: distribuição de sorrisos, aceitação da beleza como ela é, leveza e esperança de tempos melhores. É tudo o que a gente precisa pra viver bem, em qualquer época que seja.


Por Tomas Stockton do Ácidas
Postado em Floga-se

30 de abr de 2019

A ótima reinvenção chamada Social Cues

by on terça-feira, abril 30, 2019

O Cage The Elephant sempre foi conhecido por fazer mudanças em seu som entre um álbum e outro. Anteriormente surfaram em diversos gêneros e mostraram que não estão à procura de um padrão. Contudo, a ideia é sempre inovar e surpreender o público. Recentemente, a banda divulgou o sexto disco, Social Cues, novamente inovando. Ao mesmo tempo diferente dos outros discos, ele realmente se destaca nesse começo de 2019. Em resumo, a última vez que tinham feito algo acima da média foi em 2013, com o icônico Melophobia.


As canções do Social Cues são ótimas para diversos momentos: escutar durante uma viagem ou apreciando com detalhes em casa. Broken Boy, faixa de abertura, apresentando um vocal diferente de Matt Shultz, mostra que o trabalho surpreenderá. Logo após, Night Running, canção produzida em parceria com Beck Hansen, também se destaca no começo do álbum.

Sequência arrebatadora

Porém, o melhor fica do meio para o final, a sequência The War is Over, Dance Dance e What I’m Become (que poderia facilmente ser uma canção do The Last Shadow Puppets) é avassaladora. Óbvio, que o disco tem alguns pontos fracos, mas com tantas coisas boas no conjunto, focamos no que interessa.

Vale lembrar que a banda ganhou força no Brasil depois de um baita show no festival Lollapalooza em 2012, na época, este humilde redator tinha 13 anos e a apresentação foi um dos acontecimentos que fizeram me apaixonar pelo rock alternativo. Na ocasião, o Cage The Elephant vinha divulgando o Thank You Happy Birthday (2011). De lá pra cá já foram quatro discos lançados com diversas mudanças no som do grupo. Acompanhar as inovações da banda desde o início da década me fez sentir pela primeira vez um pouco velho.


Por Carlos Da Hora do Disqueria
Postado em Blog n' Roll

Online

Pageviews

Quem sou eu

Minha foto
Estudante de jornalismo e amante da boa música. "Nothing's gonna change my world".