20 de out de 2018

Review: Twenty One Pilots - Trench (2018)

by on sábado, outubro 20, 2018

Acho que o Twenty One Pilots é o reflexo de uma modernização do consumo de música. Por isso, não vejo eles simplesmente como uma banda, mas como uma boa representação desse fenômeno. Hoje em dia, ouvimos música por plataformas digitais, compramos indiretamente e não nos restringimos mais a gêneros como antigamente. Os jovens atualmente consomem todo tipo de coisa, do reggae ao rap e até jazz. Tudo a um clique de distância, ou melhor, a uma playlist de distância. A sensação de ter um estilo que define quem você é também é menor hoje, já que ouvimos diversas coisas diferentes, mas não nos apegamos muito a nada.

Assim, o duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun encontra o devido espaço, afinal, eles exploram uma sonoridade que trabalha linguagens diferentes, como indie rock, reggae, rap e eletropop. Trench é o quarto trabalho do duo, depois do bem sucedido Blurryface e da música que entrou para o filme Esquadrão Suicida.


Trench é um álbum conceitual, que segue explorando alguns temas comuns na música deles. O disco conta a história de um personagem chamado Clancy que tenta fugir de uma cidade chamada Dema. Essa cidade é governada por bispos que impõem uma religião opressora e impedem que as pessoas sejam livres. Uma interpretação válida para a história é que a cidade na verdade representa doenças mentais que aprisionam as pessoas, os bispos são as manifestações de doenças como a depressão e a religião representa a mentalidade oprimida e isolada de uma pessoa nessa condição. A honestidade com que trabalham isso vem do fato de que Tyler realmente sofre e já sofreu bastante com a depressão.

Liricamente, o disco assume uma tendência extremamente séria e responsável de ajudar a elucidar um tema que merece discussão. Mas musicalmente, as escolhas de Joseph e Dun, auxiliados pelo produtor Paul Meany, servem para liquidificar ao máximo o conteúdo das letras. Faixas como “Clohrine”, por exemplo, demonstram como o duo está preocupado com ganchos melódicos fáceis e com climas felizes, mas pouco preocupado em extrair substância e corpo de suas canções. Os arranjos são lânguidos e pecam na falta de energia e no excesso de confiança em melodias e no minimalismo. Em pouco tempo, estamos próximos do tédio, mesmo com toda a força do storytelling do disco ainda impactando nossas cabeças.


A linguagem musical do disco é mais pop acessível, envolve elementos de reggae e rap como é comum, mas sem nada que impressione. Enquanto em faixas como “Jumpsuit”, eles acertam no arranjo que surpreende e levanta a empolgação do ouvinte, em outras (na maioria), eles se entregam a um padrão de condução das faixas que repete clichês estruturais que não prendem a atenção do ouvinte, pois não é nada rigorosamente inédito. Nota-se que a banda está tentando ser mais coesa em sua musicalidade, mas, com isso, sacrifica um pouco a espontaneidade que caracterizava os momentos mais malucos dos outros discos.  
Ou seja, eles tentam passar a mensagem do disco investindo em drama e em melancolia, mas conseguiram como resultado um disco que carece de força. O Twenty One Pilots ainda merece mérito por representar esse novo fenômeno de bandas que se importa pouco com gêneros, mas precisa se afastar da vontade de soar palatável ou a criatividade de seus discos correrá risco de extinção.

Por Gabriel Sacramento (Escuta Essa Review)


Foto: Brad Heaton

Review: Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army (2018)

by on sábado, outubro 20, 2018

Anthem of the Peaceful Army é, provavelmente, o disco de uma banda de rock mais aguardado dos últimos anos. Álbum de estreia do quarteto norte-americano (From the Fires, que saiu o ano passado, reunia os dois primeiros EPs do grupo), o trabalho vem com onze músicas inéditas e dividirá opiniões.

A principal questão em torno do Greta Van Fleet é a semelhança, muitas vezes exagerada, com o Led Zeppelin. E isso não se dá somente pela aproximação entre o timbre do vocalista Josh Kiszka e o de Robert Plant. Ela é bastante perceptível também em outros aspectos. A abordagem do guitarrista Jake Kiszka deixa claro que ele é um grande fã de Jimmy Page. O timbre da bateria de Danny Wagner não faz questão de esconder a inspiração no do falecido John Bonham, assim como as frequentes viradas que Danny encaixa nas canções também trazem à mente a imagem do saudoso Bonzo. E o trabalho de composição é, inegavelmente, influenciado pelo Led Zeppelin.

Mas o Greta Van Fleet não se resume apenas a isso. A canção de abertura, “Age of Man”, por exemplo, aponta para um outro caminho. E ela, certamente, não foi escolhida como a primeira do disco à toa. O clima é meio gospel, transportando o ouvinte para uma igreja no meio dos Estados Unidos, sensação ampliada pelo uso certeiro do órgão. Uma balada crescente e muito bem feita, com refrão na medida para levantar estádios e que funciona como um ótimo cartão de visitas. 

Percebe-se um esforço em trilhar caminhos sonoros que diminuam a associação com o Led Zeppelin, e eles funcionam em canções como “Watching Over”, na ótima “Lover, Leaver” (uma das melhores do disco) e na linda “Brave New World”, na minha opinião a melhor música de Anthem of the Peaceful Army. No outro lado da moeda, mesmo quando não consegue dissociar-se da banda de Jimmy Page e Robert Plant, o Greta Van Fleet dá ao ouvinte ótimas canções como “The Cold Wind”, “When the Curtain Falls”, “You're the One” e “The New Day”.

No saldo geral, Anthem of the Peaceful Army é um bom disco e que mostra uma evolução em relação From the Fires. Como já dito, o Greta Van Fleet explora outras influências sonoras que deixam claro que a banda não tem apenas uma carta na manga. O caso do GVF me lembra bastante o que aconteceu com o Rival Sons, outra banda que foi bastante associada ao Led Zeppelin no início de sua carreira. Em Before the Fire (2009) e Pressure & Time (2011), o Rival Sons incomodava pela semelhança (para não dizer quase plágio) do universo sonoro do Zeppelin. Foi só a partir do seu ótimo terceiro disco, Head Down (2012), que os caras conseguiram encontrar a sua própria sonoridade, e conquistaram isso com maturidade e sem perder as influências que moldam a sua música. Essa tentativa de construção de uma identidade sonora própria é perceptível no disco de estreia do Greta Van Fleet, e aponta para que os próximos discos apresentem essa identidade de maneira mais efetiva. Ainda assim, Anthem of the Peaceful Army revela-se um álbum muito consistente e repleto de ótimas canções, algo que é muito saudável e importante para uma banda em início de carreira como o GVF.

Para concluir, deixo com vocês um pensamento: será que a associação que fazemos entre esses jovens norte-americanos e o Led Zeppelin não diz menos sobre o Greta Van Fleet e muito mais sobre o próprio Led Zeppelin e a falta que sentimos de uma banda tão mitológica e grandiosa como foi o quarteto formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham? Fico com a segunda opção.

Por Ricardo Seelig (Collectors Room)

Discos Clássicos: Riot - Fire Down Under (1981)

by on sábado, outubro 20, 2018

Uma das bandas mais influentes do metal do final dos anos 1970 e início da década de 1980 também é, paradoxalmente, uma das menos lembradas pelos “fãs" do estilo. Estou falando do quinteto norte-americano Riot, responsável por algumas pérolas lançadas naquela época e que inseriram novos ingredientes ao então cada vez mais popular som pesado.

Ainda que os dois primeiros discos da banda sejam bem legais - Rock City (1977) e Narita (1979) -, inegavelmente foi o terceiro álbum que colocou o Riot definitivamente na história. Lançado em 9 de fevereiro de 1981, Fire Down Under é, sem exagero, um dos grandes discos do metal oitentista. Em um tempo onde ainda não existiam nomes como Helloween e outras bandas que são, de maneira correta, identificadas como precursoras do power metal, o Riot trouxe a união entre um som potente e repleto de melodia com letras sobre temas tirados de histórias de fantasia, dando sequência ao que o Rainbow de Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore havia feito em canções como “Kill the King”, por exemplo.

Fire Down Under tem dez faixas, e entre elas estão clássicos como “Swords and Tequila”, “Altar of the King” e “Outlaw", todas mostrando a afiada união entre os vocais e a interpretação inspirada de Guy Speranza e as guitarras da dupla Mark Reale e Rick Ventura - o baixista Kip Leming e o baterista Sandy Slavin completavam a banda na época.

Esse clássico do metal dos anos 1980 foi relançado no Brasil pela Hellion Records com direito a duas faixas bônus - “Struck by Lightning” e “Misty Morning Rain” - e está disponível novamente nas lojas. É uma ótima oportunidade para conhecer um excelente disco que acabou sendo injustiçado pelo tempo, ou de completar a coleção com uma das jóias da coroa. Em ambos os casos, imperdível!

Por Ricardo Seelig (Collectors Room)

14 de out de 2018

Bette Davis Eyes

by on domingo, outubro 14, 2018

Na semiologia das artes quantos signos significantes e significados intercalados: arte nasce da arte e o rock se presta a ser porta voz no palco de todas paixões. Já curtimos o ritmo por si, imaginem quando revela cores, sensações e erotismo de outras expressões? Aquela voz seca , quase desesperada de Kim Carnes representa melhor veículo para ambiente dos anos 1930, 1940 dos grandes dramas e do filme noir. O tema? Um signo carregado de significados: o semblante poderoso de Bette Davis, seus esgares, sua força de representação e talento ímpar como vilã que todos amamos em Jezebel, A Malvada ou Baby Jane.

Detalhe: em A Malvada ela era vítima de Anne Baxter, mesmo assim carregava nas tintas como mulher poderosa. A ficha técnica de Bette Davis todos podem pesquisar nos Google da vida, mas o impacto da canção gravada que explodiu mundialmente em 1980 só nós que lá estávamos adolescentes podemos dimensionar. Ah os anos 1980 que mal começavam! Quanto glamour em Boy George, Rod Stewart bombando e Madonna surgindo…

Naquela virada de década, aliás, a primeira virada de década que alguém nascido em 1965 presenciava com sua lembrança intacta, outro monumento do rock vinha a luz: The Wall do Pink Floyd. Diante desse álbum inigualável a presença onipresente de Kim Carnes prova quanto o pop tem poder de se eternizar em nossa memória tanto quanto um clássico cult de maior peso.

A literatura consome prazerosamente todo meu tempo, acompanho menos que gostaria as novas bandas, portanto é na memória que busco fonte do grande rock. Aquele verão brasileiro trazia esse surgimento duplo em tempos sem DVD, internet e fones de ouvido incipientes, – inevitável que a grande vitrine de novidades estrangeiras fosse programas como o Fantástico.

Clipes eram quase curtas metragens pesados e com tramas carameladas, mas as imagens que acompanham Bette Davis Eyes são aquele rosto que marcou tanto o século 20: uma mulher implacavelmente penetrante e hipnotizador. Algo naif naquela pecinha onde uma esquálida Carnes comanda a coreografia meio brega de bofetadas esfumaçadas bem no estilo das deliciosas megeras de Bette Davis especialmente em Pérfida cabe ressaltar.


A mulher fatal dava espaço a mulher empoderada: anos pós feminismo e as mulheres tomavam o comando. Na Grã-Bretanha uma megera real fazia juz ao conceito de malvada: era ascensão de Margaret Thatcher. Um hit inesquecível vos digo que fez uma meninada ensolarada vibrar e curtir uma diva dos tempos de nossos avós. Sobre o purismo de ser ou não rock ou mais um produto pop, isso não importa diante da visceral pegada vocal e da presença de cena de Kim Carnes. A octogenária atriz gostou e vibrou com sua imortalidade antecipada.

[Flávio Viegas Amoreira]
Escritor e jornalista
flavioamoreira@uol.com.br

Por Flávio Viegas Amoreira do Poesia e Rock
Postado em Blog n' Roll

13 de out de 2018

Afinal… o que é pop punk?

by on sábado, outubro 13, 2018

Sempre que comento com alguém que escrevo sobre pop punk, logo em seguida tenho que responder a pergunta que dá o título ao post. É contraditório colocar a palavra pop ao lado da palavra punk, que representa um movimento cultural que vai contra o sistema e tudo mais. Porém, isso é possível.

Então, na 100ª edição do Pop Punk Academy, resolvi fazer um guia sobre o que é pop punk. Dividi a história do gênero em 5 eras para tentar contextualizar melhor sua origem e o que ele se tornou hoje. Hey Ho… Let’s go!

1ª Era – A Origem (Anos 70)

O pop punk começa apenas alguns anos depois do punk rock. E o conceito básico do gênero está em Ramones (1976), álbum de estreia de uma das bandas mais importantes do rock. Ele apresenta os elementos que são copiados por diversas bandas até hoje: canções rápidas, melodias simples e letras sobre o cotidiano adolescente.

O quarteto tinha uma vida bem desajustada, mas após os Ramones tocarem na Inglaterra, outros artistas adaptaram essa “fórmula” para a realidade deles. E assim temos Buzzcocks escrevendo os clássicos Ever Fallen in Love with Someone (You Shouldn’t’ve) e Orgasm Addict. E o Generation X cantando Ready Steady Go e Kiss Me Deadly.

The Clash e Sex Pistols foram importantes para a popularização do punk rock no mundo. Contudo, nem todos gostavam da pauta politizada. Nem todos queriam ser durões e anarquistas. Ou seja, o pop punk ia contra o próprio punk rock ao falar de outros assuntos.

Poder fazer música simples e rápida era atraente para os jovens europeus que celebravam a juventude e compartilhavam fatos sobre suas vidas. A política era importante, mas às vezes os problemas do fim da adolescência precisavam ser expostos. Então, o The Undertones escreve um clássico como Teenage Kicks.


2ª Era – Os primeiros subgêneros (Anos 80)

Crescendo na Inglaterra, o punk rock se tornou ainda mais agressivo. Na Europa, o street punk e o Oi! punk tomaram conta da cena. Nos Estados Unidos, o hardcore era a arma para os questionamentos políticos. De ambos os lados do oceano, tudo era bem brutal. Mas havia espaço para outras bandas quebrarem essa “regra”.

The Incredible Shrinking Dickies (1978) do The Dickies apresentava algo bem menos agressivo com letras bem humoradas e fazendo referências à cultura pop. Uma zoera sem limite com direito a uma versão de "Paranoid" do Black Sabbath. Logo, a imprensa os classificou como “punk easy listening”.

E quem entrou nessa categoria foi o Descendents. Apesar da fazer parte da cena hardcore, Milo Aukerman e banda abordavam assuntos bem distantes da política. Milo Goes to College (1982) fala sobre amores não correspondidos (Hope), pescaria (Catalina) e crítica sarcasticamente a vida nos subúrbios (Suburban Home). Um álbum que pode ser considerado a origem do hardcore melódico e forte influência para o pop punk.

Outro “subgênero” que dos anos 80 é o bubblegum punk. Basicamente, ele pegou os acordes básicos dos Ramones e acrescentou mais energia. As letras costumam ser “contos” sobre garotas, amor, bebedeiras e histórias de terror. Sem dúvidas, Screeching Weasel e The Queers são os principais nomes desse estilo.

Muito comum na Inglaterra, o punk pathetic também merece uma menção como “punk pop”. Um derivado light do street punk, ele traz músicas cheias de bom humor e com referência à rotina da classe trabalhadora. The Adicts, Toy Dolls e Peter and the Test Tube Babies influenciaram muitas bandas de pop punk dos anos 90.


3ª Era – A Explosão (Anos 90)

Apesar do Nirvana trazer o punk para as massas, a tristeza do grunge deixou algumas pessoas incomodadas. Eles queriam algo mais enérgico e que representasse melhor o cotidiano deles. No meio da década, uma série de fatores colaboraram com o crescimento do pop punk. Ou nu punk, como chegou a ser chamado na época.

Em 1994, o Green Day lançou Dookie, terceiro álbum da carreira e o primeiro por uma grande gravadora. O disco trazia de volta a “fórmula” que encontramos lá nas primeiras bandas do gênero: músicas rápidas, melodias simples e a fúria adolescente de forma crua. O resultado foi um sucesso de crítica e mais de 10 milhões de cópias vendidas.

Outro disco que foi importante para o gênero foi Smash (1994) do The Offspring. Ele utiliza a mesma “fórmula”, porém com uma visão mais adulta. Lançado de forma independente, o álbum conseguiu o número de 11 milhões de cópias vendidas. E junto com o Dookie, eles foram responsáveis por ampliar a cena punk rock/pop punk nos anos 90.

Como ambas as bandas eram californianas, os olhos do mundo se voltaram para o estado americano. E nos anos seguintes conhecemos artistas como Rancid, NOFX, Bad Religion e muitas outras que são queridinhas do público e porta de entrada para o estilo. Apesar de quase todas rejeitarem esse rótulo “pop”.

Influenciados pelo “punk class of ‘94” e outras bandas dos anos 80, as primeiras bandas de pop punk/bubblegum surgiram no Brasil no fim dos anos 90. Holly Tree, Carbona e Tequila Baby foram as bandas que mais representativas que beberam bastante da fonte do pop punk.


4ª Era – A contradição do Emo (Anos 2000)

Na virada do milênio, o blink-182 passou a ser a principal referência do pop punk no período, enquanto surfava no sucesso de Enema of the State (1999). Essa exposição ajudou a trazer muitas outras bandas para a grande mídia. Sum 41, Simple Plan, New Found Glory, Yellowcard e All Time Low embarcaram no mesmo trem do hype.

Na mesma época surge o emo pop, a mistura do pop punk com emo. My Chemical Romance, Fall Out Boy, Good Charlotte e Paramore começam a se destacar na mídia, principalmente na MTV. Mas nem todos queriam ser comparados com as bandas com franjas e lápis nos olhos. Nem os artistas e nem os fãs queriam ser relacionados com o estilo.

Enquanto o mainstream inflava com as bandas seduzidas pelo hype do estilo, o underground americano fornecia artistas tão bons e talentosos quanto. The Ergs, The Copyrights e Teenage Bottlerocket são exemplos de materiais de qualidade.

Por influência internacional, o gênero também chegou ao mainstream no Brasil. Strike, Forfun, Houdini e Cueio Limão foram grandes representantes do pop punk nacional na época. Conquistaram espaço na MTV e nas TVs abertas, além de serem headliners de festivais e eventos dedicados ao público pop punk/hardcore melódico.


5ª Era – O pop punk hoje

No fim da primeira década dos anos 2000, o pop punk sofreu uma queda de popularidade. Green Day e blink-182 continuaram sendo a porta de entrada para o gênero, enquanto outros artistas foram amadurecendo, mudando de estilo ou se moldando para o mercado.

Timidamente, as bandas que surgiram modificaram um pouco da fórmula “implantada” pelos Ramones. Influenciados principalmente pelo New Found Glory, o easycore ganhou vida. Um som muito pop para o punk e muito punk para o pop. A Day To Remember, The Story So Far, Four Year Strong e Neck Deep são algumas das bandas que utilizam essa receita que ficou bastante popular entre os fãs do gênero.

Fugindo disso, temos artistas que se inspiram no emo dos anos 90 para renovar seus trabalhos. Sentimentais, mas sem forçar a barra, eles abordam as dificuldades da vida adulta dos millennials. The Wonder Years, Waterparks e Real Friends são artistas que apresentam bem esses temas nas canções.


E o que rola no Brasil hoje?

O pop punk cresceu bastante nos últimos anos no Brasil. E o mais incrível é que pode ser separada em duas cenas bem ricas e com bandas de qualidade. Em São Paulo, por exemplo, o easycore é um dos subgêneros mais populares. Dinamite Club, Never Too Late e Navy Blue são alguns nomes que merecem sua atenção quando o assunto é pop punk “PT-BR”. Mas vale destacar a volta dos cariocas do Phone Trio. 

Curiosamente, o bubblegum punk está bem concentrado na região sul. Flanders 72, Rotentix e Magaivers já possuem uma longa estrada, mas sempre representam bem o jeito “ramônico” de tocar. Sukinho di 10, Intrusivos e Cine Sinistro também reforçam a cena “chiclete”´em outros estados.

Espero que tenham gostado desse extenso guia sobre o que é pop punk. E que também tenha sanado algumas dúvidas sobre o assunto que é tão polêmico. E se você chegou até aqui, obrigado pela atenção.


Por Lupa Charleaux do Pop Punk Academy
Postado em Blog n' Roll

9 de out de 2018

Documentário: Independente de Tudo (2018)

by on terça-feira, outubro 09, 2018

Com a proposta de mostrar os bastidores das bandas de pop punk de São Paulo para o meio acadêmico, a jornalista Bárbara Araujo produziu o documentário Independente de Tudo. Apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso, a produção contextualiza a cena atual do gênero e acompanha as bandas paulistanas Never Too Late e Dinamite Club.

“Sempre que surgia o assunto TCC nas rodas de conversas, eu achei que seria legal fazer sobre a cena independente. Na hora de decidir o tema, eu tinha muitas possibilidades anotadas, mas o pop-punk era a que mais atraía. Eu sentia falta de um registro sobre o estilo”, conta Bárbara.

A afinidade com as bandas do documentário facilitou os caminhos para o documentário. Assim como a vontade de mostrar para mais pessoas os “perrengues” enfrentados pelos os músicos independente. “Eu queria de alguma forma mostrar isso. Até porque é provável que tenha pessoas que gostam, mas não saiba como o trabalho é realmente feito”, explica.

Foto: Xinxilah Photos

Por meio de depoimentos dos integrantes de ambas as bandas, a jornalista de 23 anos consegue transmitir bem as motivações dos músicos para continuarem na estrada. “Todos eles contam que mantêm a banda por gostarem de se reunir. Acompanhando os ensaios e shows, então ficou muito claro como isso é real na prática. Foi marcante ouvir, ver e sentir quanto eles gostam do que fazem”, comenta Bárbara.

Independente de Tudo ainda conta com entrevista com pessoas envolvidas com a cena, como produtor Gab Scatolin e o Dedeco da banda carioca Dibob. Junto com os músicos da Dinamite Club e Never Too Late, eles ajudam a contar a história da cena pop punk desde o começo dos anos 2000 até hoje.

Foto: Murilo Amancio

Após finalizar a produção, Bárbara diz que sua admiração pela cena e pelas bandas só aumentou. Principalmente, ao observar de perto as dificuldades que elas enfrentam. A jornalista comenta que a solução para termos uma circuito de shows ainda melhor são os fãs deixarem a internet e começarem a frequentar os shows.

“Nós temos um número ok de bandas que estão na ativa, fazendo o trabalho delas. Isso é o principal. Acredito que se as pessoas saírem de casa e irem aos shows, consequentemente a estrutura melhora”, opina.

Assista ao documentário Independente de Tudo:


Por Lupa Charleaux do Pop Punk Academy
Postado em Blog n' Roll

24 de set de 2018

Discos Clássicos: Nirvana - Nevermind (1991)

by on segunda-feira, setembro 24, 2018

Quase no apagar das luzes do dia em que este disco completa 27 anos do seu lançamento… Mas é isso mesmo, antes tarde do que nunca.

Nevermind, o segundo disco da banda Nirvana de Seattle que revolucionou os anos 90, seja visual ou musical, foi um divisor de águas. Primeiro que a década tinha iniciado, e todo mundo estava de saco cheio de artistas dominando as paradas como Michael Jackson e Madonna (Nossa… Se eles imaginassem como seria nos dias de hoje) ou não se identificava com a filosofia de vida das bandas de hair metal.

Ame ou odeie, é um disco que é considerado por muitos como o melhor álbum da década. Kurt, Krist e Dave, traziam outra vez o frescor da novidade, para uma juventude que se identificava com aqueles três rapazes desajustados.

O disco abre com “Smells Like Teen Spirit”. SOMENTE. Que poderia ter acabado aí que a banda já estava garantida para sempre. Com seu riff que faz até mesmo um adolescente dos dias de hoje pular de euforia, o Nirvana sairia do seu empoeirado underground para os braços da fama… Que foi o problema.

Logo depois, uma sequência de matar: “In Bloom”, “Come As You Are”, “Breed”, “Lithium”, “Polly”, “Territorial Pissings” (Com a intro feita pelo Dave Ghrol de “Get Together” do The Youngbloods) e “Drain You” que eram músicas carimbadas nas apresentações da banda. Sentiu aí? Um disco que parece uma verdadeira coletânea de hits.

Depois viria o que é considerado por muitos fãs da banda, o melhor disco do Nirvana chamado In Utero, mas cá entre nós… Nevermind é um pé na porta digno de uma verdadeira e sincera banda de rock.

Um disco que soa atemporal, mas que também se pode sentir o cheiro daquela época… Ora, não é pra menos… “Cheira a espirito jovem”.

(Originalmente publicado no Melodias Erráticas em 24 de setembro de 2018)

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