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Grauzone: A lenda do New Wave Suíço

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Os suíços da Grauzone conseguiram um relativo reconhecimento no Brasil durante a década de 80 graças a uma coletânea lançada por aqui em um esforço da lendária radio carioca Fluminense FM. A compilação de nomes obscuros até então foi lançada em 1983 e ganhou o nome de “German Rock”, na época o disco virou item fundamental a todo descolado de plantão, correu livre entre fãs de tecno pop, new wave e surf rock, mas acabou muito distante de causar impacto comercial. Entre as 10 bandas selecionadas para o disco estava a Grauzone com a clássica “Eisbar”, um hit instantâneo da New Wave e é deles que vamos falar um pouco agora. Logo se percebe que não eram alemães, mas o que então os colocou num disco dedicado a bandas da Alemanha? A resposta é porque “Eisbar” entrou nas paradas de sucesso por lá, uma fama que transitou meteoricamente entre a Alemanha e a Áustria. A banda foi formada em 1979, depois que Marco Repetto (bateria) e GT (baixo) deixaram a banda punk Glueams para formar um novo grup...

Vinho e Vitrola #07: King Kobra - Thrill of a Lifetime (1986)

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O que aconteceu em Thrill of a Lifetime é muito parecido com o que ocorreu um ano antes com o Icon: uma mudança repentina e radical de direção. Em 1984, o Icon (David Michael-Philips, inclusive, já havia integrado o grupo no início dos anos 80) vinha com um forte registro de estreia homônimo onde um potente Hard ‘n’ Heavy sobressaía com maestria. Em 1985, com Night of the Crime nas prateleiras, a diferença de som de um álbum para outro é monstruosa, investindo pesado no AOR e deixando o peso que de outrora havia definido a banda como “um perigo promissor”. Em 1985, Ready to Strike, do King Kobra, tinha quase o mesmo lado da moeda do disco de estreia do Icon. Em 1986, Carmine Appice & Cia soltaram o “torce nariz” Thrill of a Lifetime. Sabe-se lá se a Capitol Records queria que a banda fizesse um som mais comercial na bagagem do AOR ou se o desespero era tanto que os membros realmente quiseram fazer isto, mas acabo ficando com a primeira opção, até porque Johnny Rod (baixo), Mark Fre...

Meus 5 Discos Preferidos: Juliana Valle (OZU)

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Depois da resenha que publicamos feita pelo nosso colaborador e irmão, Nino Lee Rocker , sobre o álbum Burnout (2022), acabou gerando um convite feito para Juliana Valle, do trio OZU, para nos revelar quais são os seus cinco discos de cabeceira ou essenciais… Enfim, que tenha uma significativa importância em sua vida. Um muito obrigado por ter aceitado nosso convite, Juliana! A seção, você já conhece — chega mais e confira! OZU Burnout (2022) “Primeiramente OZU. Não poderia deixar de citar, uma vez que é a minha banda e que acabamos de lançar este álbum. Não só por isso, mas sendo bem suspeita, é realmente um álbum em que gosto muito. Uma linguagem bem diferente do nosso primeiro álbum “INNER” e que mostra, claramente, uma nova fase, que traz um lado mais solar da OZU.” Mônica Salmaso Corpo de Baile (2014) “Sou apaixonada por música brasileira e a Mônica Salmaso é a minha maior referência. Para quem me conhece como cantora da OZU, certamente não esperaria isso, mas de...

Os 50 anos de Ziggy Stardust e um depoimento

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Acho que aqui começa mais uma das minhas jornadas pelos anos 1970. Quando era adolescente entrei de cabeça e tudo no punk, passando pelas primeiras bandas de heavy metal, classic rock e o rock progressivo que eu ainda aceitava era o Pink Floyd. Antes de ouvir David Bowie, eu o vi e fiquei intrigado. Com o seu visual andrógino (que passou a usar depois do início de carreira), fiquei me perguntando: “Como será o seu som?”, “As letras dessa ou desse cara?!” e coisas do tipo. O marco zero foi o vídeo de “Starman”, que também era o primeiro single do álbum e foi — literalmente — de cara que comecei a gostar daquele sujeito indeterminado. O rock’n’roll sempre teve dessas de utilizar um lado mais teatral em suas apresentações, com efeitos visuais e até mesmo peças de teatro em que não faria sentido se não fosse acompanhado de uma grande banda. E não é para menos, o “Spiders from Mars” era banda extraordinária. As minhas prediletas sempre serão “Moonage Daydream”, a maravilhosa “Lady Stardust”...

The Midnight - "Change Your Heart or Die"

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Sensação do sinthwave californiano, o duo The Midnight está de volta e chacoalhando os esqueletos ao fundir sua batida nostálgica com a pegada glam, característica do Def Leppard e Scorpions da década de 80 em ‘Change Your Heart or Die’, o novo single deles. O The Midnight é formado por Tyler Lyle e pelo produtor, compositor e cantor Tim McEwan, ambos inspirados pela paixão que nutriam pela trilha sonora de Drive (filme americano de 2011). De 2012 para cá, já lançaram 3 álbuns e várias participações em projetos de retro wave como o Timecop1983, conquistando cada vez mais notoriedade no segmento. O lema da banda é: “mono no ciente” (物の哀れ), uma frase japonesa que se traduz livremente como “uma sensação nostálgica e a consciência de que nada dura para sempre”. E pensando dessa forma, é melhor parar tudo que você está fazendo, se desconectar e cair dentro de ‘Change Your Heart or Die’. Dê um tempo no seu corre corre e bora dançar. A faixa é apenas um aperitivo de ‘Heroes’, quarto disco...

Kasabian - "Chemicals"

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Quando Tom Meighan anunciou sua saída do Kasabian e a banda entrou numa espiral de incertezas, confesso que me abalei. A meu ver, eles eram um dos melhores grupos nos últimos tempos e tudo levava a crer que chegavam ao seu fim. Tom era uma presença muito forte na banda, mas seus problemas com a depressão e condutas agressivas, que inclusive o levaram a uma condenação, eram difíceis demais para se lidar dentro de uma estrutura já consolidada no meio musical. O baque foi forte ali. O tempo passou, eles saíram um pouco do radar, mas então anunciaram a continuidade, dessa vez com Sergio Pizzorno assumindo os vocais. Algo que volta e meia ele já fazia. A noticia me empolgou. “Chemicals”, terceira faixa de seu novo disco “The Alchemist’s Euphoria”, primeiro trabalho sem Tom Meighan, acaba de ser lançada e surpreende novamente. Se vierem nessa vibe, certamente teremos um belo disco pela frente. Sorte nossa, nem todos conseguem. Algo muito comum entre as sensações do rock inglês, vide Keane, K...

Kula Shaker em triunfal retorno aos bons tempos

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Quando o Kula Shaker surgiu com o disco ‘K’, em 1996, e deu sequência com o magnifico ‘Peasants, Pigs & Astronauts’, em 1999, eu era um daqueles que os achavam a melhor banda do mundo. Quando não ouvia os discos em casa, andava com meu diskman tocando a banda ininterruptamente pra cima e pra baixo. Investia nos discos, investia nos singles, tudo era tão maravilhosamente sixtie e seventies, transcendental, hipnótico, vibrante, adorava o requinte sonoro, adorava as artes gráficas, mas então, um belo dia, o vocalista Crispian Mills começou a viajar além da conta. Falou com árvores em um Glastonbury e deixou sua sanidade questionada. Bom, você sabe, tabloides não perdoam, mas quem sou eu pra levar sensacionalismos a sério. Isso é mais do que comum em solo inglês. Mas é fato que algo aconteceu. 8 anos se passaram até que ‘Strange Folk’ fosse lançado e nele não havia aquela força anterior, meio tempo em que bandas como o The Coral foram surgindo e apresentando um conteúdo muito mais ...