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"Quase Famosos": a importância do crítico de música

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Qualquer roqueiro/cinéfilo que se preze já deve ter assistido ou ouvido falar em "Quase Famosos" (2000), uma adorável película do competente diretor Cameron Crowe sobre o mundo do rock. Elogiado tanto por críticos de cinema quanto por críticos de música, o filme é mais do que apenas uma comédia dramática típica de uma Sessão da Tarde da vida... Afinal, acima de todos os seus detalhes e pequenas mensagens implícitas, há uma pergunta intimamente ligada ao seu roteiro: "Qual é a importância do crítico de música?". Como deu pra perceber, não farei aqui a milésima resenha de um filme já devidamente esmiuçado por redatores mais especializados em cinema. Quero apenas responder a supracitada pergunta sobre a importância do crítico de música, ainda mais em uma era que mistura no mesmo pacote - e de forma um tanto paradoxal - a liberdade de expressão desenfreada com a censura gerada pelo fanatismo e falso moralismo. Se você prestar muita atenção em qualquer dis...

Review: Liam Gallagher - Why Me? Why Not. (2019)

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O Oasis sempre foi marcado pela rivalidade entre os irmãos Gallagher, especialmente durante os tempos áureos da banda, ainda nos anos 1990. Dez anos após o fim do grupo mais icônico do movimento Britpop, temos uma boa quantidade de álbuns lançados pelos dois em seus respectivos trampos, o que afasta ainda mais os planos de uma reunião. Agora, o vocalista Liam Gallagher lançou seu segundo álbum solo, Why Me? Why Not , no qual se estabelece e ainda aborda algumas de suas pendências emocionais e familiares. O novo trabalho é de uma simplicidade assumida, tanto nas predominantes baladas quanto nos eventuais rocks, e descaradamente voltado ao som dos anos 1960 e 1970 – em especial ao som dos Beatles, claro. As guitarras e violões se entrelaçam na maioria das músicas e temos arranjos de cordas que evocam um pouquinho da pompa presente nos trabalhos do seu irmão Noel. Os vocais estão bem equilibrados (na medida do possível) e as letras abordam temas intimistas com um adorável misto...

Review: Guns N' Roses - Use Your Illusion I & II (1991)

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Use Your Illusion I Exatamente à meia noite do dia 16 para 17 de setembro de 1991, as lojas dos Estados Unidos abriram para a venda dos tão esperados novos discos do Guns N' Roses. A expectativa era grande e a banda não poupou os fãs; 30 músicas compõem os Illusions que foram lançados de forma inédita: 2 LPs duplos lançados ao mesmo tempo ou no formato de 2 Cds simples, que usavam o máximo da sua capacidade na época: 76 minutos. Esses álbuns marcaram a estreia de Matt Sorum (ex-The Cult) na bateria, já que Steven Adler foi expulso por não ter controle sobre seu vício em drogas e, por esse motivo, atrasava o processo de produção. Marcaram também a entrada de Dizzy Reed nos teclados como membro da banda. A arte da capa é a mesma para os dois álbuns, diferenciando só nas cores. O trabalho é do artista Mark Kostabi, porém é só um detalhe do quadro A Escola de Atenas do pintor italiano Raphael. O Use Your Illusion I já abre com Axl mandando um recado para sua vizinha,...

Review: Pixies - Beneath the Eyrie (2019)

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Pense um pouco e guarde as devidas proporções: como seria se Leonardo da Vinci, depois de criar o Homem Vitruviano e pintar a Monalisa, decidisse tirar umas férias? E, após elas, que duraram anos, não fosse capaz de criar outra obra-prima? Desprezaríamos o sujeito? Lembraríamos que ele foi o criador de tantas obras importantes? Este é o dilema com os Pixies pós-anos 1990. A banda voltou em 2004, com todos os integrantes originais, menos Kim Deal: Frank Black, David Lovering e Joey Santiago. No lugar da baixista, Paz Lechantin faz o que pode para preencher a lacuna, mas ninguém parece se importar muito. É Pixies mas não é. Pelo menos, não como antes. Não significa dizer que os discos pós-reunião sejam ruins: Indie Cindy , Head Carrier e este Beneath The Eyrie , gravados e lançados entre 2014 e 2019, são discos sólidos, com boas canções, bem produzidos e tocados, mas, caramba, onde está a faísca inovadora e sensacional que os dois primeiros trabalhos dos Pixies tinham, a sabe...

Review: V.A. - The Sexual Life of the Savages (2005)

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O título dessa compilação foi retirado de um verso do hit “Nosso louco amor”, da Gang 90 & As Absurdettes. ‘A vida sexual dos selvagens’ também é o nome do raro livro escrito pelo vocalista da Gang 90, Julio Barroso (1953-1984), pouco antes do estouro nacional de sua banda, pioneira ao arrebentar as portas dos anos 80 para o rock nacional que tomaria grande parte da produção musical brasileira ao longo daquela década. 20 anos depois o casal Bruno Verner e Eliete Mejorado, que na Inglaterra formam o duo eletrônico Tetine, se voltaram ao post-punk paulistano com a intenção de preparar um especial sobre as Mercenárias para o programa Slum Dunk Radio, que apresentavam na Resonance FM. A seleção das músicas chamou a atenção do selo inglês Soul Jazz e o resultado capturou 18 canções de 12 formações paulistas bastante conhecidas do underground daqueles anos. É um disco de sub-hits, alguns até chegaram a frequentar a programação das rádios, como “Rock europeu” do Fellini...

Review: Don Dokken - Up From the Ashes (1990)

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Ao fim da turnê que promoveu o disco Back For the Attack , em 1988, o Dokken se partiu em pedaços. O guitarrista George Lynch formou uma banda nova, o Lynch Mob, e levou o baterista Mick Brown com ele. O baixista Jeff Pilson formou o War & Peace, enquanto o vocalista Don Dokken começou a pensar em formar um projeto solo. Antes mesmo de ter definido os membros dessa nova banda, Don se reuniu com John Kalodner, executivo da Geffen, sua nova gravadora, que sugeriu Glenn Hughes para compor algumas músicas. Este trouxe John Norum, então ex-guitarrista do Europe, para assumir as guitarras do projeto, que seria produzido pelo próprio Glenn. Nascia assim um dos mais estrelados line-ups da história do rock pesado, com representantes de ambos os lados do Oceano Atlântico. Após o envolvimento inicial, Glenn Hughes acabou se afastando do projeto, mas suas demos com Don podem ser encontradas facilmente na internet hoje em dia. A banda foi completada com Peter Baltes, uma lenda do...

Electric Light “Disco” Orchestra - 40 anos de “Discovery”

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Estamos numa avalanche celebratória de lançamentos fonográficos. A cada dia, álbuns fazem aniversários “redondos” – 20, 30, 40, 50, 25 anos – e a gente vai lembrando. Em alguns acasos, vamos tentando fazer justiça. É o caso deste texto que você começa a ler agora, que visa dar a glória e a belezura que “Discovery”, álbum lançado pela Electric Light Orchestra em 1979, merece. Não tenho qualquer problema em dizer que este é meu disco preferido de Jeff Lynne e seus acepipes (ou seriam asseclas?), indo de encontro ao que fãs “sérios” da banda pensam. Para eles, os primeiros trabalhos, mais imersos nas influências de Beatles e rock progressivo, são os mais dignos de lembranças e saudações efusivas. Entre a crítica especializada, no entanto, nenhum é. A ELO é um patinho feio para os “entendidos” em rock, que desprezam a melodia, a beleza e a engenhosidade do trabalho de Lynne como músico, guitarrista, compositor e produtor. Não importa, o cara é um talento historicamente reconhecido p...